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Geografia, população, economia |
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Manga de ronco em Bissorã - 1970
Festa que ocorreu em Bissorã. |
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Um “Choro” é uma cerimonia fúnebre, que consiste em batucadas e danças, bem como um manjar desregrado, que se realiza sempre que alguém importante morre. |
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Panaria da Guiné e Cabo Verde - 1960 - 1970
Esta arte perdida e parcialmente recuperada, continua numa luta muito difícil pela sua sobrevivência, face aos desafios dos novos tempos |
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Tema em construção |
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A fé também faz parte da guerra, e para ela contribuem os mézinhos de guerra, e as orações, como protecção contra as balas, e outros males. |
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Belissimo topo do bastão do Rei Mamedo Paté (1870-1880), da etnia Sominqué (Mandingas não islamizados). |
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A palavra crioula Irã refere-se a qualquer objecto natural ou feito pelo homem que contém energia sagrada benéfica ou maléfica |
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Localização: África Ocidental, estabelecendo um limite a ocidente com o Oceano Atlântico, a sul e leste com a Guiné-Conakry e a norte com o Senegal.
Bandeira: A Bandeira Nacional da Republica da
Guiné-Bissau é composta por três bandas: duas horizontais e uma
vertical marcada por uma estrela. No seu conjunto, a
simbologia significa Unidade, Luta e Progresso. Capital: Bissau
A colecta de castanha de caju tem aumentado nos últimos anos.
A Guiné-Bissau exporta peixe, óleo de palma, castanha de caju e madeira.
O arroz é o principal alimento nacional, mas estão também presentes a mancarra (amendoim), o milho, a mandioca, o feijão, etc.
Clima: Tropical marítimo. Dezembro e Janeiro são os
meses mais secos. As temperaturas são quentes durante todo o ano, sendo as mais
elevadas registadas entre Março e Maio. De Junho a Outubro chove com muita
frequência. Pode encontrar mais informação sobre a Guiné, através dos serviços secretos dos EUA, a CIA (Central Intelligence Agency) em:
http://www.cia.gov/cia/publications/factbook/geos/pu.html
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"Manga de Ronco" em Bissorã - 1970
A festa balanta faz-se à base de muitas cores, do ritmo dos tambores, do chocalhar dos adornos, e às vezes das letras das canções, simples e repetitivas do tipo "siri, assigna siri" (vinho, beber vinho), e o dançarino dança simulando estar embriagado, provocando risos e palmas.
À festa não faltam "palhaços", que pintados de branco tentam fazer rir com danças disparatadas, e outras tropelias.
O "palco" onde decorrem as danças é aberto a todos os que queiram participar, embora nunca tenha visto as mulheres a dançar, excepto num "anúncio" de casamento, em que só havia mulheres a dançar.
A festa é também um local, para os dançarinos mostrarem os novos penteados.
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Um “Choro” é uma cerimonia fúnebre, que consiste em batucadas e danças, bem como um manjar desregrado, que se realiza sempre que alguém importante morre.
Os "bombolons", ancestrais "telégrafos" de África, transmitem incessantemente, a noticia.
É altura de matar o gado, que se foi acumulando ao longo dos anos, e de se fazer grandes alguidares com arroz, nos quais os comensais amassam pequenas porções de arroz, com uma mão até fazerem um bola, que depois comem.
O morto é enterrado numa zona que escolheu em vida, normalmente perto, ou mesmo dentro da tabanca.
Quanto mais importante for o falecido, mais dias dura o "choro", e mais tempo fica a aguardar ser enterrado, o que não é muito agradável devido ao cheiro, embora este esteja envolvido em muitos panos, por vezes centenas.
Texto do Furriel Fortunato
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Panaria da Guiné e Cabo Verde - 1960 - 1970
Esta arte perdida e parcialmente recuperada, continua numa luta muito difícil pela sua sobrevivência, face aos desafios dos novos tempos. Algumas obras tentam registar, a excelência do pano da Guiné, antes que a sua história se perca totalmente, algumas empresas, continuam a tentar manter viva esta herança cultural.
"Para isso deve ter concorrido a boa padronagem introduzida na panaria cabo-verdiana e depois passada à Guiné. O pano de lavores e desenhos geométricos (mais tarde designado de pano de obra) deve ter sido criado pelos portugueses nesse decurso de tempo. Nas conclusões do seu livro, Carreira atribui aos portugueses: a introdução, na tecelagem cabo-verdiana, da técnica de desenhos geométricos de estilo muçulmano, em lavores, para o que se teriam inspirado na padronagem de tecidos hispano-mouriscos trazidos pelos Árabes à Península e levados pelos portugueses nas mercadorias destinadas ao escambo na costa ocidental e a difusão, partindo de Cabo Verde, na região de Cacheu, da tecelagem de panos com desenhos geométricos... técnica essa retida exclusivamente pelo grupo manjaco-papel e sem que nenhuma outra das regiões limítrofes das islamizadas, tivesse tentado a imitação."
Fonte: o livro " O Pano Artesanal na Republica da Guiné-Bissau", Isabel Borges Pereira Mesquitela, 1996.
Os Fulas e Mandingas, são os grandes mestres tecelões, mas outras etnias marcam igualmente uma presença, como os manjacos, e os papéis, na panaria da Guiné.
" O Fula e o Mandinga cultivam desde há séculos o algodão. Preparam-no e tecem-no em panos simples sem quaisquer padrões. Estes panos são posteriormente tingidos pelo Saracoles, com desenhos predominando o azul obtido do anil vegetal que com o algodão constituía a base da produção de panos da Guiné e cabo Verde."
Fonte: idem
Os panos mais coloridos são normalmente utilizados, em cerimónias ou festividades.
Fotos de panos tirados durante a exposição "Através dos Panos" realizada em 2006. Esta exposição tinha como ponto de partida a colecção de panaria guineense e cabo-verdiana do Museu Nacional de Etnologia, recolhida na sua maioria entre as décadas de 1960 e 1970
Nota: A Artissal, fábrica de tecelagem tradicional que emprega 16 tecelões em Quinhamel (a 30 quilómetros de Bissau), criada em 2005, é uma das tentativas de manter viva esta arte.
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Objectos da vida quotidiana, decorativos, adornos, armas tradicionais, e instrumentos musicais.
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A fé também faz parte da guerra, e para ela contribuem os mézinhos de guerra, e as orações, como protecção contra as balas, e outros males.
O interior deste mézinho de guerra, construído num dente de javali, tem um documento escrito em árabe, descrevendo as protecções que este garante (faz vento para desviar as balas e faz resvalar as facas quando tentam penetrar no corpo, isto de acordo com um professor muçulmano que consultado na altura), o seu interior possui igualmente algumas formigas, embrulhadas no papel.
Alguns africanos acreditavam mesmo nos milagres destes mézinhos, e se falhavam era porque tinham perdido a força, e iam comprar outro.
As magias e os super poderes que alguns guerrilheiros possuíam, não ficam por este mézinho, existem muitos mais, apresentamos como exemplo uma história sobre os combates na Ilha do Como, com um extracto da página 4, do documento Série Antropologia, 160 - O Poder da Invisibilidade, de Wilson Trajano Filho - Brasilia 1994.
O poder da invisibilidade
Embora para nós europeus nos pareça ridículo estes mézinhos protectores, a verdade é que muitos soldados da metrópole, levavam também os seus "protectores" em orações, e outros símbolos como o exemplo apresentado a seguir, que protegia o seu portador de ser preso, ferido, morto, visto ou ouvido, pelos inimigos, mas nunca encontrei ninguém que tivesse muita fé nos mesmos.
Oração do justo juiz
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Tudo parece indicar que os bastões, evoluíram de armas para símbolos de poder e de estatuto social.
Um belissimo bastão é do Rei Mamedo Paté (1870-1880), da etnia Sominqué, do qual apresentámos anteriormente uma foto.
Sominques era o nome dado aos mandingas não islamizados que viviam na Guiné, os quais travaram duras batalhas contra os portugueses, o que já foi descrito na página sobre a Guiné, nomeadamente na batalha de Bambaiá-Giudu em 29/03/1897, em que estes saíram vencedores.
Apresentamos a seguir dois extractos, de dois livros que se referem a este tema.
" Todos os bastões de punho, lanças de metal e azagaias de madeira com cabos esculpidos, machados decorados e escudos partilham de uma mesma simbologia, a do combate armado, e cada um deles indica estatuto social preciso.
...
Alguns dias antes de terminar o seu período de iniciação, cada um dos jovens na fase "cabaro" esculpe um objecto que transporta na mão ao deixar a floresta. Escondem o rosto para evitar ser reconhecidos pela família (os rapazes são, agora, novos homens), mas os parentes podem reconhecê-los por essas esculturas individuais que lhes foram antecipadamente descritas. Antigamente, quando o período de isolamento demorava mais tempo, a escultura era provavelmente mais elaborada, caso o talento individual o permitisse, como é o caso do bastão do Museu Nacional de Etnologia de Lisboa (cat. 140, página 179) que mostra um jovem iniciado de arcos Campende nas nádegas e o penteado coberto de lama usado nas cerimónias. Este tipo de bastão com punho esculpido pode ter orifícios ao longo do seu comprimento onde podiam ser pendurados guizos de bronze que tilintavam quando o dono batia com o bastão no chão. A partir do século XVI, estes bastões foram objecto de comércio com os Portugueses. ..."
Fonte: livro "Na presença dos Espíritos", Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, 2000
"...
Em certos casos desempenharam sem dúvida o papel de símbolos fálicos, evocando as noções de força e de fecundidade associadas à realeza.
Desde o século x, foram encontrados vários exemplares belíssimos nas pesquisas de Igbo Ukwu na Nigéria. Feitos em bronze com percentagem de chumbo, eram colocados no topo de hastes de ferro ou de madeira.
A serpente que tinha provavelmente um valor ritual, surge em vários desses bastões de comando e adorna-os sempre com curvas de rara perfeição. Noutros exemplares, missangas de vidro incrustadas no metal juntavam as suas notas coloridas ao tom do bronze.
Fundido por cera perdida, é composto por um grupo de figurinhas em bronze encimando uma haste de ferro adornada de anéis de bronze a intervalos regulares.
Segundo uma tradição, esse objecto remontaria ao rei Mamedi Pate, que reinou de 1870 a 1880. Pode dar-se o caso no entanto ser um ou dois séculos mais antigo, porque a técnica utilizda, a fusão por cera perdida, já não é praticada nos nossos dias na Guiné-Bissau. Permite obter formas muito estilizadas, exprimindo perfeitamente as atitudes e as expressões das personagens, guerreiros cujas armas são pormenorizadas com cuidado, tal como os cavalos e respectivos arreios, sinais evidentes de prestígio. O artista soube captar o seu movimento e dinamismo.
..."
Fonte: livro "Objectos Africanos", Laure Meyer, LivroseLivros
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Irã - O Grande Espiríto - Arquipélago dos Bijagós - Babaque Fonte: postal ilustrado
"... No arquipélago dos Bijagós, a palavra crioula Irã refere-se a qualquer objecto natural ou feito pelo homem que contém energia sagrada benéfica ou maléfica.
O termo é, assim, aplicado, por exemplo, às folhas de palmeira que assinalam a entrada do recinto iniciático, ao chifre de um bode selvagem contendo plantas de odor forte contra as cobras e ao Grande Espírito da Aldeia, bem como aos espíritos filiais.
Os objectos de madeira macia
vendidos aos turistas (incluindo aqueles que, nos últimos tempos, se assemelham
ao Grande Espírito) são chamados bonecas, palavra crioula que significa "boneca,
estatuetas decorativas, forma exterior sem poder". O objecto mais importante em termos de significado é o Irã Grande do Chão, o que significa, em crioulo, "o Grande Espírito proprietário da Terra" e cujo termo bijagó é orebok ocot.
Esta figura é a intermediária entre o único Deus criador (o qual ninguém evoca) e o mundo dos antepassados, cujas partículas espirituais foram concentradas nesse objecto, depois de ter sido fabricado segundo o costume, alimentado com oferendas de comida e sangue de animais sacrificados.
Tal objecto também é chamado
unikan orebok (Remédio do Espírito), o que reforça a importância que têm os
ingredientes necessários à sua fabricação, na qual as folhas de mangueira
desempenham papel importante. Este objecto não tem a mesma aparência em todas as ilhas. Em Bubaque, Canhabaque, Caravela e Carache, é antropomórfica, mas, nas outras ilhas, é uma amálgama sagrada dentro de uma bacia de esmalte colocada no altar do templo ou, por vezes, dividida e metida em grandes conchas marinhas. Tem, às vezes, um par de chifres, muito embora não se procure dar-lhe qualquer fisionomia animal.
Em contraste, presta-se homenagem ao verdadeiro Grande Espírito no espaçoso santuário circular frequentado por todos os aldeões e guardado à noite pela sacerdotisa que mantém o fogo.
Hoje em dia, o Grande Espírito pode também ser guardado na casa do rei, onde há menos possibilidade de ser roubada.
As esculturas mais antigas do
Grande Espírito vistas hoje em templos variam segundo a região geográfica. Em Bubaque, o Grande Espírito é representado por um cilindro oco em três quartos com aproximadamente 40 centímetros de altura.
A parte inferior, correspondente ao outro quarto do tamanho, está cheia de elementos representando a vitalidade da aldeia - plantas esmagadas, aparas de unha, pêlos do corpo de iniciados e outras poções secretas.
Está coberto por um pano colorido, sobre o qual, ao longo dos anos, se vão acumulando sacrifícios de ovos quebrados, sangue de animais e álcool cuspido.
No entanto, na altura da iniciação ou morte de um rei, o pano tem de ser queimado e o Irã coberto de novo.
A sua cabeça está adornada com um chapéu duplo ou triplo, o qual, antigamente, fundava o estatuto do conquistador: navegador, soldado, missionário ou administrador; os olhos são martelados em metal e tudo isto é fixado ao tronco da escultura por um longo pescoço envolto em anéis. A madeira é escurecida com uma tintura vegetal.
Como acontece com frequência em
África, não é a cabeça, mas a barriga do Espírito que constitui a zona mais
importante e exige a melhor madeira. Outro objecto com o mesmo significado do Grande Espírito é transportado pelo rei sempre que as circunstâncias tornem difícil a saída da escultura: trata-se de um triângulo achata-o e alongado em que um dos lados termina por um cilindro e, o outro, por dois ou três chifres de madeira enegrecidos com cinzas, o que lhe confere o aspecto de uma cabeça de bovino estilizada.
A madeira é de uma espécie particular e sob o pano que a cobre descobrimos a mesma mistura introduzida no Grande Espírito no decorrer das iniciações: unikan aranko, o que significa literalmente "remédio manual" ou "Espírito portátil".
Todos os homens e todas as "defuntos" fabricam a mesma coisa durante a iniciação e, embora de forma fragmentária, é sempre o Grande Espírito. Todos lhe demonstram a sua devoção por meio de sacrifícios no decorrer da vida e, quando morrem, ele é herdado pela família e, assim, numerosos espécimes são encontrados nos templos.
..." Fonte: livro "Na presença dos Espíritos", Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, 2000
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Web site: http://leoesnegros.com.sapo.pt
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